Widgetized Sidebar

This panel is active and ready for you to add some widgets via the WP Admin

Gustavo Arns

Ciência da felicidade

Gustavo Arns

Ciência da felicidade

CRÉDITO: Arquivo pessoal

Ex-aluno do Colégio Positivo, Gustavo é o idealizador do Congresso Internacional de Felicidade. Cofundador do Centro de Estudos de Felicidade, com sedes no Brasil, Canadá e Argentina. Presidente da Escola Brasileira de Ciências Holísticas. Professor da Pós-Graduação em Psicologia Positiva da PUC-RS e PUC-PR.

CRÉDITO: Arquivo pessoal

Ex-aluno do Colégio Positivo, Gustavo é o idealizador do Congresso Internacional de Felicidade. Cofundador do Centro de Estudos de Felicidade, com sedes no Brasil, Canadá e Argentina. Presidente da Escola Brasileira de Ciências Holísticas. Professor da Pós-Graduação em Psicologia Positiva da PUC-RS e PUC-PR.

Todos os dias, somos desafiados. E, por vezes, nos indagamos sobre o nível de satisfação com nossas próprias vidas. Quando nos sentimos inteiramente bem, costumamos dizer que estamos felizes. Mas, o que vem a ser, verdadeiramente, a felicidade e como ela se instala? A Revista Positivo conversou com Gustavo Arns, que explica o tema a partir de um olhar científico.

Revista Positivo (RP) – Muito se fala que a felicidade é a conquista de um sentido para uma vida plena. O que tem de verdade nesse conceito? A felicidade é um princípio abstrato ou algo tangível?

Gustavo Arns (GA) – Desde meados dos anos 2000, o psicólogo norte-americano Martin Seligman estuda a Ciência da Felicidade. Ele percebeu que ao longo da história a psicologia se dedicou ao estudo das doenças e nunca ao lado positivo da vida humana. Assim, surgiu a ideia de uma psicologia positiva, que estuda não somente a felicidade, mas também a gratidão, o perdão e a resiliência – atributos psicológicos importantes para uma vida significativa.

O modelo PERMA, desenvolvido pelo professor Seligman, defende que existem cinco componentes centrais para conquistarmos nossa felicidade: Positive Emotion (Emoção Positiva); Engagement (Compromisso/Engaja­mento); Relationship (Relacionamentos); Meaning (Significado ou Propósito) e Accomplishment (Realizações). E esse modelo nos traz um caminho bem concreto, palpável. Nesse sentido, a felicidade não tem nada de abstrato.

RP – A Ciência da Felicidade coloca em xeque o conceito tradicional de felicidade, relacionado a emoções e experiências. Como isso muda a nossa percepção sobre o que buscamos diariamente?

GA – Realmente, a Ciência da Felicidade está desconstruindo muitas das ideias que nós tínhamos de felicidade, mas está também educando sobre o tema, para que possamos formar conceitos mais alinhados com a realidade. Uma grande evolução científica nesse ponto são os estudos do Richard Davidson, um neurocientista que passou décadas estudando a mente e o cérebro humanos.

Davidson afirmou que a felicidade é uma habilidade e, portanto, pode ser treinada, desenvolvida, aperfeiçoada. Isso mudou completamente a forma como a ciência compreende o campo da felicidade e, graças a esses estudos, hoje sabemos que a felicidade não está nos momentos felizes, mas tem base na nossa autorresponsabilidade, nas escolhas que fazemos em prol da construção de uma vida mais feliz. O cérebro é como um músculo que nós exercitamos na academia. Dessa forma, podemos fortalecer também essas conexões neurais que nos trazem um estado de maior bem-estar e de felicidade.

RP – A referência filosófica mais antiga sobre o tema é um fragmento de Tales de Mileto. Dizia que é feliz “quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”. Podemos afirmar que esses pilares de felicidade podem mudar a partir de cada contexto histórico e de acordo com a sociedade que o vivencia?

GA – O tema da felicidade sempre despertou curiosidade dentro da história humana. Ainda na Grécia antiga, os filósofos, nas diferentes escolas filosóficas, falavam sobre o assunto. Os hedonistas, por exemplo, acreditavam que a felicidade estava na busca do prazer. Já os estoicos falavam sobre um autocontrole muito importante na construção de felicidade.

Existiam, também, outras correntes importantes, como as de Sócrates, Aristóteles, Epicuro e Epiteto. É claro que a filosofia, enquanto leitura da realidade, se altera com o tempo. Cada escola tem seus pilares e claro que isso, dentro da filosofia, pode variar, mas algumas escolas permanecem firmes até hoje, sobretudo o estoicismo.

A própria Ciência da Felicidade, a Psicologia Positiva, tem uma base filosófica nos estudos de Aristóteles. Então, de alguma forma, eu sinto que as escolas filosóficas mais profundas têm bases enraizadas. Não trocam ao longo do tempo, pois os costumes e estilos de vida podem até variar, mas o ser humano continua sendo o mesmo. Por outro lado, se falamos de conceito de felicidade, esse continua sendo cultural, social e histórico.

É interessante que a gente perceba que a nova Ciência da Felicidade tem bases concretas, que podem nos ajudar, assim como a filosofia, a arte e a religião, em uma compreensão mais profunda do que pode ser felicidade e de como podemos ser mais felizes.

CRÉDITO: Divulgação

RP – Recomenda alguma leitura para guiar essa prática?

GA – Recomendo as obras Seja mais feliz, do autor Tal Ben-Shahar, e O jeito Harvard de ser feliz, de Shawn Achor.

RP – Que sugestões você daria para exercitarmos a felicidade no dia a dia?

GA – Além dos conceitos já citados, que nos auxiliam de maneira prática a olhar para o tema, há outros exercícios criados pela Psicologia Positiva. Por exemplo, uma reflexão diária: “qual foi o melhor momento no seu dia de hoje?”. Todo dia tem seu melhor momento, mesmo aqueles mais difíceis. Esse exercício pode ajudar a construir um cérebro mais positivo, otimista, capaz de enxergar cenários futuros mais positivos, e, com isso, nos tornamos mais motivados para fazer essa construção.

RP – Se perguntarmos a algumas pessoas o que é felicidade, provavelmente, cada um apresentará a própria percepção. Por outro lado, há uma ideia de felicidade que pertence ao senso comum. Esses dois conceitos se intercalam ou são complementares?

GA – Acredito que essa ideia de Shahar pode ajudar a desconstruir ideias pré-concebidas de felicidade. Muitas vezes, imaginamos que algumas coisas vão nos fazer felizes, mas elas não são exatamente o caminho para a felicidade. Hoje, a ciência comprova que existem alguns aspectos que são muito diferentes do que acredita o senso comum. Contudo, o grande ponto é que a ciência não tem uma resposta final para esse debate, que é histórico na humanidade.

CRÉDITO: Divulgação

RP – E para você, qual é o conceito de felicidade?

GA – Tem um conceito de felicidade de que gosto bastante, que é o do professor israelense Tal Ben Shahar. Para ele, felicidade é a combinação de cinco elementos do nosso bem-estar: físico, emocional, intelectual, relacional e espiritual.

Copy link
Powered by Social Snap