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Dr.ª Maria Esther Graf

Educação, vacina e prevenção

Dr.ª Maria Esther Graf

Educação, vacina e prevenção

CRÉDITO: Arquivo pessoal

Experiência é o que não falta no currículo da Dr.ª Maria Esther. A médica infectologista do Hospital de Clínicas da UFPR também é coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Controle de Infecção do Complexo Hospitalar do Trabalhador SESA/PR; professora de Epidemiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar (APARCIH).

CRÉDITO: Arquivo pessoal

Experiência é o que não falta no currículo da Dr.ª Maria Esther. A médica infectologista do Hospital de Clínicas da UFPR também é coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Controle de Infecção do Complexo Hospitalar do Trabalhador SESA/PR; professora de Epidemiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e presidente da Associação Paranaense de Controle de Infecção Hospitalar (APARCIH).

No dia 17 de junho, a dr.ª Maria Esther conduziu um bate-papo exclusivo com os colaboradores do Positivo, no qual, além de falar sobre a atual situação da pandemia da Covid-19, tirou dúvidas e compartilhou informações a respeito dos cuidados mais eficazes para evitar a contaminação pelo novo Coronavírus e, sobretudo, sobre a importância da vacinação. Compilamos aqui, em formato de entrevista, os principais pontos abordados sobre a imunização à Covid-19 por meio da vacinação.

Revista Positivo – Qual é a importância da educação no contexto da pandemia?

Dr.ª Maria Esther – Algo que me chama a atenção estudando a doença é o fato de que não existe controle da pandemia sem passar pela educação. A educação é a nossa base para vencermos a pandemia algum dia. E aí também está a importância de as escolas manterem as suas atividades, seguindo os devidos cuidados e respeitando todos os protocolos. Isso é fundamental, porque a educação é um pilar da sociedade, o qual devemos priorizar. Afinal, não há como mudar um comportamento sem ter uma educação de qualidade. Precisamos mais do que nunca reforçar a importância da educação.

RP – Falando em educação, existem muitas fake news acerca da pandemia. Como combater a desinformação?

ME – Esse é um trabalho de formiguinha, porque as redes sociais são um meio de comunicação que é revolucionário, no qual você coloca a informação que quiser. Ali, encontramos pessoas que, de uma hora para outra, se tornaram “especialistas” em vírus, em infectologia. Eu acho que o único jeito de combater às fake news é disseminando informação de qualidade e, de novo, promovendo educação. A sociedade vai ter que aprender a lidar com isso, porque é algo que não vai acabar, seja envolvendo a pandemia ou outros temas. A gente sempre é bombardeado por fake news, e acho que é só com educação de qualidade para, passo a passo, em um trabalho de continuidade, mudarmos essa situação.

RP – Qual é o verdadeiro papel da vacina no enfrentamento à pandemia?

ME – Temos, principalmente, três tipos de vacinas que usam tecnologias diferentes. O que a gente precisa entender, que é muito importante, é que o principal papel da vacina é reduzir a forma grave da doença. A gente não deve se iludir achando que porque tomou a vacina vai poder tirar a máscara e aglomerar. Não estamos nesse patamar. A gente deve se vacinar para tentar se proteger da forma grave da doença, pois ela vai demandar um leito hospitalar. Então, realmente precisamos ter a compreensão de que a vacina não é um passaporte para acabarmos com os protocolos, mas, sim, uma arma poderosa para que a gente possa evoluir, em médio a longo prazo, para um controle mais satisfatório da pandemia.

Achar que depois da vacina tudo estará “tranquilo” é um risco.

RP – O que é possível afirmar com relação à eficácia das vacinas das quais dispomos hoje?

ME – Já é algo a ser muito celebrado o fato de termos vacina disponível, porque há uma grande diferença entre esta pandemia e a pandemia de H1N1 em 2009, quando já havia uma tecnologia de produção de vacina contra influenza. Apesar de conhecermos o coronavírus há muito tempo, nunca foi possível fabricar uma vacina contra ele antes. Então, os milhões de estudos que aconteceram no passado e os esforços de investimento na ciência foram para desenvolver a vacina, e isso já é um grande avanço. A gente não pode se iludir e achar que a primeira versão das vacinas já vai ter uma eficácia de 95%. Não é assim que funciona. Mas elas garantem, sim, uma proteção da forma grave da doença, o que é maravilhoso. Além disso, é provável que, devido às variações, e a partir de um monitoramento dos tipos de coronavírus que mais circulam, tenhamos que tomar essa vacina todos os anos, pois ela sofrerá mudanças conforme novas cepas vão circulando. Então, é importante entendermos que ter vacina é um grande avanço, mas que é esperado que ainda não exista uma vacina 100% eficaz.

CRÉDITO: Envato

RP – Quais são as principais diferenças entre as vacinas contra a Covid-19 disponíveis para nós?

ME – A CoronaVac é composta por vírus inativado, que é o mais comum em vacinas para vírus. É a mesma tecnologia usada para a vacina contra o vírus influenza, que é segura e protege contra a forma grave da doença. Já a vacina Oxford/AstraZeneca tem como ativo um vetor viral, que carrega uma partícula que vai justamente gerar resposta imune contra a Covid-19. Essa vacina tem sido mais reatogênica: as pessoas têm reportado mais reações, que em geral duram dois dias, e alguns poucos relatos de eventos trombóticos. Mas vamos lembrar que a Covid-19 em si já traz muito risco de evento trombótico, então, se falarmos que a vacina aumenta esse risco, saibamos que a doença aumenta ainda mais. E a vacina BioNTech, da Pfizer, é de RNA mensageiro, uma tecnologia nunca vista antes em vacina. Ela chegou com uma expectativa de alta eficácia, mas, na verdade, somente o tempo vai nos mostrar isso, porque é algo ainda muito novo.

Certamente, hoje, se a gente puder vacinar, a gente deve vacinar e fugir um pouco das especulações sobre qual é a melhor vacina. Afinal, independentemente das eventuais reações, os riscos sempre serão menores do que aqueles causados pela própria doença.

RP – E as vacinas cobrem também as novas cepas?

ME – Há vários estudos sobre isso. Em um deles, por exemplo, afirmou-se que a vacina da AstraZeneca não funcionaria para a cepa da África do Sul. Isso é muito dinâmico, mas fato é que alguma proteção elas oferecem sim. O nível de proteção, de verdade, varia um pouquinho.

A gente não tem como dizer hoje: “esta vacina é melhor para essa ou para aquela cepa”, mas, no geral, elas protegem contra todas as variantes conhecidas até o momento.

Não há nada definitivo, porque tem a questão populacional e individual: determinado indivíduo pode ter uma resposta imunológica um pouco diferente.

RP – Recentemente, ouvimos muito sobre uma mudança no perfil das vítimas. Como você explica esse fenômeno?

ME – Lá atrás, vimos que o perfil das pessoas internadas era, em sua maioria, de idosos e indivíduos com comorbidades. A partir deste ano, com a chegada da variante P1, ou “cepa de Manaus”, esse perfil mudou. Acompanhamos uma redução contínua na idade dos pacientes. Então, eu até ousaria dizer que, tirando as gestantes – que são, com certeza, um grupo de risco –, eu não consigo mais apontar quais são exatamente os grupos de risco. Estou vendo gente jovem e que não tem comorbidade ser internada. Isso nos mostra que de fato há uma mudança, que é influenciada também pelo fato de que as pessoas mais velhas já foram vacinadas e que, portanto, tendem a não ser afetadas pela doença de forma grave. Há sempre muitos fatores envolvidos, mas fato é que essas variantes que estão chegando têm uma capacidade maior de transmissão – é isso o que está bem estabelecido na literatura.

RP – Para concluir, enquanto a vacina não chega para todos, o que podemos fazer para diminuir os riscos de adoecimento?

ME – Além, é claro, de todas as recomendações básicas de prevenção – uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos –, há os três pilares da saúde sobre os quais às vezes esquecemos de falar, mas que são fundamentais para termos uma condição melhor de saúde e, assim, menor risco de evolução para uma forma grave da doença: alimentação (saudável e equilibrada), exercícios físicos (no mínimo 30 minutos por dia) e sono (de 8h). Essas são as bases do bem-estar e da saúde, que ajudam a diminuir os riscos de adoecimento.

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